10 dezembro 2015

Esfinge

Guimarães Passos

Pigmalião, o heroico estuário,
Galateia não fez com mais esmero,
Nem mesmo o próprio Donatello quero
Que o mármore encha de poder tão vário.

Divino artista em mundo imaginário
Achou n’um sonho o teu perfil austero,
E ao céu roubando ardente revérbero
Inflamou-te este corpo extraordinário.

Assombro eterno da beleza humana;
Suprema perfeição de que se ufana
A Arte, que a vida com tal arte finge!

Quantos dirão vendo-te o lábio mudo:
“Tivesses coração, terias tudo...”
Néscios! Não viram coração de esfinge.

Fonte (penúltimo verso): Cunha, C. 1976. Gramática do português contemporâneo, 6ª edição. BH, Editora Bernardo Álvares. Poema – com a dedicatória ‘a Fausto de Barros’ – publicado em livro em 1891.

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